Prólogo: para compreender o contexto deste artigo, é necessário assimilar o seguinte vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=d0fTJqeRXCE em especial, a partir de 1 hora e 21 minutos em diante.

Este é um exercício baseado no framework dos agentes de subversão social indicado no link acima. O objetivo é tentar delinear um cenário futuro plausível e evitar o pensamento metonímico tipicamente brasileiro (e burro) de achar que existe uma luta entre e esquerda e direita.

Sobre o framework proposto, é importante ressaltar que essa não é uma receita comunista, mas, sim, revolucionária. Onde se pretende instaurar uma revolução, basta seguir cada um dos passos. Eles atacam cirurgicamente cada uma das bases da sociedade, até que ela possa ruir, causando o caos social para, então, o movimento revolucionário tomar conta da sociedade alvo. O próprio Bezmenov diz que esta estratégia remonta a Sun Tzu, general da China antiga, em seu livro “A Arte da Guerra,” que nada tem de excepcional, é apenas uma coletânea de golpes sujos.

Lendo “A Arte da Guerra”, clássico das inocentes palestras motivacionais para bater as carteiras dos idiotas, vemos, claramente, que o processo foi aperfeiçoado e amplamente empregado por agente socialistas e comunistas, mas não foi criado por eles. Faço um parenteses aqui para relembrar da cena do filme “Batman, o Cavaleiro das Trevas”. Já no final do filme, quando o vilão é desmascarado e revela que seu único objetivo é destruir a sociedade para que, dela, surja uma nova na qual os bandidos não serão mais os “injustiçados,” Batman responde que “você é o mau puro.” A frase é uma síntese perfeita. O roteiro do filme retrata uma sociedade que já passou por todos os estágios de subversão até culminar no que Bezmenov chama de “crise.” Recomendo fortemente que o leitor assista ao filme tendo em mente o vídeo do Bezmenov e a aula do Professor Olavo de Carvalho sobre a estrutura da mentalidade revolucionária.

Voltando ao Brasil e, mais especificamente, à realidade, vamos à pauta do dia: o impechament de Dilma Rousseff. Vamos resumir concisamente a narrativa de Bezmenov comparando brevemente com o que temos hoje. As fases da subversão são:

  1. Desmoralização: desconstrução completa da cultura nacional, em específico o ataque à religião, à educação e a substituição de órgãos de caridade legítimos e espontâneos por estruturas estatais. Há pelo menos cinco décadas se observa como, por exemplo, hospitais deixaram de ser obras de caridade da Igreja Católica e passaram a ser estatais. Estenda o raciocínio para todas as outras áreas e vai ver a consumação do fato. Principalmente na vida espiritual. Quase a totalidade dos brasileiros trocou uma religião verdadeira por um aglomerado de símbolos de catolicismo, umbanda, espiritismo, tudo misturado de modo a transformar a transcendência, este tão difícil exercício, num enorme eufemismo, muito mais fácil de se conviver, embora completamente falso. Resultado: materialismo estatal, “alguém precisa resolver isso,” e completa complacência com tudo. Nada mais funciona. Ao final do vídeo Bezmenov é enfático. Todo o processo teria sido parado no início se a noção de transcendência não fosse perdida.
  2. Desestabilização: neste ponto, todas as relações inter-pessoais estão arruinadas. A alma do brasileiro sempre foi pusilânime. Quando era criança e essas coisas ainda não estavam consumadas, ouvia sempre que “como seu avô dizia, religião e política não se discute.” Brasileiro sempre foge através de chavões que levam a seguros lugares comuns. Bezmenov também é enfático neste ponto: se aproveita o ímpeto do adversário contra ele. Como resultado, ninguém mais pode ser contrariado e é impossível qualquer espécie de debate, hoje. Especialmente no meio intelectual. Repare um pouco. Quantos amigos perdeu recentemente? Quantas pessoas você vê brigando por mesquinharia? Acabou. Olavão decretou com razão: o Brasil morreu. Já estamos no ponto que tudo leva a enfrentamentos e já não faz mais diferença se eles são legítimos ou não. Vale ressaltar que o Brasil vem sofrendo com o mal dos direitos humanos justamente porque esta é parte da fase atual. Liberar totalmente a ação revolucionária do lumpem proletariado, os pobres bandidos oprimidos. Assistiu o Batman? Então… Aqui no Brasil, as portas das cadeias já estão escancaradas.
  3. Crise, que é a etapa atual: no passo anterior, o resultado final é que toda a sociedade está sob pressão, principalmente psicológica, e sem o apoio da noção de transcendência, não tem nem forças físicas nem intelectuais para reagir. Clama-se por um salvador, culpa-se um bode expiatório.

Aqui entra o impeachment. Não há dúvidas de que Dilma Rousseff seja uma incapaz e, com a sua ficha criminal, deveria estar numa prisão. O mesmo para Lula, bandido pé-de-chinelo que chegou onde chegou passando cheque em branco da Odebrecht e afins em todo mundo. Mas, estes dois são o que, perante todo o processo revolucionário? Nada. Absolutamente nada. Já foram usados e estão sendo descartados. O Professor Olavo de Carvalho vem insistindo muito neste ponto por estes dias, justamente porque a função dos bodes expiatórios é livrar os pecadores. Vejam. Dilma e Lula serão penalizados, não há dúvida. O que irá mudar no resto da estrutura de poder? Nada.

Retira-se algum peso da sociedade agora, que respirará aliviada por alguns dias, até descobrir que nada mudou. Irá implorar por um salvador. Neste etapa pode ser, literalmente, qualquer um. Até o Bolsonaro vai servir. Lembre-se sempre da frase mais falada por Bezmenov nesta etapa: “it doesn’t matter.” A função desta figura neste ponto é fazer o país submergir numa crise profunda e sem volta. Quanto mais divisor o candidato, melhor. Ou pode ser algum tiranete obscuro, estilo Maduro. It doesn’t matter, desde que a sociedade mergulhe no caos. Lembre-se que os dois resultados possíveis desta etapa são a guerra civil ou uma intervenção externa. E não seja burro. Não estou dizendo que os comunistas vão eleger ou estão manipulando o Bolsonaro. Apenas podem não criar resistência para sua eleição. O agente desestabilizador não precisa ser do time. It doesn’t matter, it doesn’t matter.

A eleição de Bolsonaro favoreceria imensamente as duas situações, que seriam concorrentes entre si. A esta altura ouso dizer que há muita gente que prefira este combate. Caso surja um tiranete, a situação vai escalar ainda mais. Estude a situação da Venezuela. Em Cuba aconteceu algo semelhante. Ao final do processo um exército financiado por um agente externo, Rússia, tomou o poder. Na Venezuela algo deste tipo pode estar prestes a acontecer.

Voltemos ao Brasil. Dilma Rousseff devidamente defenestrada. Nada vai mudar. A conta da festança vai continuar chegando. Multas, multas e mais multas. Estado inflado. Universidades viraram literalmente hospícios. O sistema educacional é uma fabrica de dementes e psicopatas. A polícia, em sua impotência plantada pelos direitos humanos, vai se voltar contra o cidadão honesto, seu único nicho. Pessoas passarão a vida na cadeia por desacato enquanto estupradores receberão bolsas. Viram o Batman de novo? Conforme a situação for piorando, mais o povo implorará por um salvador, até o processo desencadear o caos completo.

O impeachment era inevitável. Provavelmente colocaram a Dilma lá porque sabiam que iria desencadear a crise. Hoje, 31 de agosto de 2016, é provavelmente, um dos dias mais importantes da história do Brasil. Hoje é o dia que todas as probabilidades apontam como uma mudança de fase. Quanto ao Michel Temer, tão logo será descartado pelo movimento revolucionário quando for preciso.

Com toda a classe política arrasada e desacreditada, bandidos soltos, forças policiais desmontadas, militares vendidos ou fracassados, a quem restará organização e força física para controlar o país? O crime organizado. Eles farão a fase final: a renormalização.