A corrente visão, em nosso país, sobre o conflito entre palestinos e israelenses parece unânime: Israel, que nada mais é do que a fonte de uma conspiração judaica, quer destruir a pacífica e pobre palestina com único propósito de tomar suas terras. Israel covardemente ataca com a mais alta tecnologia, enquanto os palestinos apenas respondem com alguns foguetes. Os israelenses sempre matam criancinhas palestinas famintas e não querem abrir mão de Jerusalém.

 Existem muitos artigos que desmascaram tais falácias, por isso não irei focar este artigo naquele aspecto. Entretanto, a quantidade de informação idêntica que nos chega por todos os meios de mídia tradicional obviamente indicam que existe uma coordenação no que se é divulgado. Já notou que, por mais neutra que uma reportagem sobre o assunto seja, no seu título sempre é Israel quem ataca a Palestina?

 O papel da mídia nestes casos é fundamental. É o que se chama de desinformação. Desinformação, neste caso, não tem um significado de alguém que esteja desinformado, no sentido corriqueiro, ou, sem informação. Desinformação é uma operação na qual uma mentira é propagada na sociedade de modo a parecer uma verdade. Segundo o general desertor Ion Mihai Pacepa, no seu livro Disinformation,

“Desinformação é uma ferramenta secreta de inteligência, com o objetivo de instaurar um selo ocidental, não governamental em mentiras governamentais. Suponhamos que a FSB (a nova KGB) fabricasse documentos que supostamente provassem que as forças militares americanas tivessem ordens específicas para atacar casas de culto islâmico nos seus bombardeios da Líbia em 2011. Se uma reportagem sobre esses documentos fossem publicadas num jornal oficial russo, isso seria má-informação [misinformation], e as pessoas no ocidente certamente o receberiam com desconfiança e a tratariam, com razão, como propaganda de Moscou. Se, ao invés disso, o mesmo material fosse publicado na mídia ocidental e atribuído a alguma organização ocidental, isso seria desinformação, e a credibilidade da estória seria substancialmente maior.” (Disinformation, p.35)

 Ou seja, se você quer que a sua história pareça verdadeira, mande alguém com credibilidade contá-la. Uma das táticas mais usadas é convencer os chamados ‘idiotas úteis’ de que tudo isso se trata de verdade. ‘Idiota útil’ é uma expressão empregada desde Lenin para designar as pessoas que realmente acreditam nos ideais da revolução e que estão dispostas, espontânea e inconscientemente, a lutar por estes ideais. Vide a esquerda caviar. Estas pessoas compram o discurso politicamente correto facilmente.

Quantos jornalistas você conhece que apoiam incondicionalmente as agendas politicamente corretas? Todos, menos os da lista negra do PT? E artistas? Jogadores de futebol? A mídia toda é formada de idiotas úteis prontos a disseminar o que quer que seja que pareça bom-mocismo desvairado. Estes mesmos indivíduos dão respaldo ‘de opinião’ a grupos radicais como MST, Black Blocs e afins.

Claro que tudo só funciona se houverem ‘provas’. A desinformação consiste em fabricar, da maneira mais convincente possível, a maior quantidade delas. No caso do conflito árabe-israelense, a mais cabal delas é esta:

 “Em 1972, o DIE (serviço de inteligência da Romênia comunista) recebeu da KGB uma tradução árabe dos Protocolos dos Sábios de Sião junto a material ‘documental’, também em árabe, ‘provando’ que os EUA eram um país sionista cujo objetivo era transformar o mundo islâmico num reino judaico. O DIE ordenou que o material fosse discretamente disseminado dentro dos países islâmicos alvos da operação.” (Disinformation, p.262)

 Até hoje a esquerda brasileira usa esta mesma obra como amostra das más intenções judias. Entretanto, vejamos as origens dos Protocolos dos Sábios de Sião:

 “A maior tarefa de desinformação da Securitate [polícia secreta romena] na nova terceira guerra mundial era auxiliar Moscou a reacender o anti-semitismo na Europa ocidental espalhando milhares de cópias de uma velha fraude russa, Os Protocolos dos Sábios de Sião, nesta parte do mundo. Isto teria que ser feito em segredo, de modo que ninguém soubesse que as publicações vieram do bloco soviético … Rachovsky levantou a maior parte do seu texto [Os Protocolos] de uma sátira francesa obscura de 1864 chamada Diálogo no Inferno Entre Maquiável e Montesquieu escrito por Maurice Joly e acusando o imperador Napoleão III de capturar todos os poderes da sociedade francesa. O agente da Okhrana [Rachovsky] essencialmente substituiu as palavras ‘o mundo’ por ‘França’ e ‘Judeus’ por ‘Napoleão III’.” (Disinformartion, p.96)

 Ou seja, uma fraude das menos elaboradas. Mas, como sabemos, os idiotas úteis precisam apenas de documentos que constem o que eles defendem, não necessitando que a fonte seja real. Em geral, obscurece-se as origens deste tipo de documento de modo que todo aquele que tente checar as fontes recebe imediatamente o rótulo de ‘teórico da conspiração’.

Vemos, nestes exemplos, que a ideia de que Israel seja inerentemente um país maligno foi plantada no ocidente através de uma vasta operação de desinformação. Exemplo típico, aqui no Brasil, são os documentos da CIA e do FBI sobre o golpe de 64 que revelam exatamente que os EUA foram pegos de surpresa pelo ocorrido. No entanto, os falsificadores universitários conseguem subverter de tal modo o significado das palavras de modo a torná-las prova exatamente da tese contrária que revelam. Ao mesmo tempo, toda e qualquer menção aos nomes brasileiros inscritos nos arquivos do serviço secreto tcheco são cirurgicamente não comentados pela grande mídia.

A universidade brasileira se tornou uma incrível máquina de desinformação, na qual o movimento revolucionário descarrega as diretrizes do que deve ou não deve ser tratado como verdade. Como as universidades formam, com o perdão da redundância, os formadores de opinião, sua influência na mídia é direta. Daí a relevância de planos de regulamentação da mídia, que transformariam todo o setor informativo da sociedade numa imensa desova de desinformação. A necessidade de que todo jornalista seja formado em jornalismo também vai neste sentido, já que se garantiria o emprego de profissionais doutrinados dentro dos moldes desejados pelo movimento revolucionário. O exemplo brasileiro é muito importante, por ser palpável e descarado, para se compreender o fenômeno global, que segue mais ou menos as mesmas linhas.

 Voltando ao assunto principal, inicialmente, a URSS foi a favor da criação do estado judeu, provavelmente acreditando que Israel seria seu comissário no Oriente Médio. Evidentemente tal estratégia fracassou, já que, naturalmente, a cultura judia se integra ao mundo ocidental. Surge então, na década 70, uma série de organizações terroristas, todas originárias do serviço secreto soviético:

 “A KGB tinha uma queda por movimentos de ‘liberação’. A Organização de Liberação da Palestina, O Exército Nacional de Liberação da Colômbia [mais tarde virou FARC] e o Exército de Liberação Nacional da Bolívia são apenas alguns dos movimentos de ‘liberação’ nascidos na KGB”. (Disinformation, p.107)

 É óbvio que tudo isto está ligado a uma estratégia global. A operação árabe é apenas um dos ramos de uma guerra mundial ainda em curso. Não é uma guerra física, de ataque por armas, aviões e tanques. É uma guerra psicológica, de palavras, e principalmente, de mentiras. Essa é a terceira guerra mundial que Pacepa citou num dos parágrafos acima. E nós estamos no meio dela. A tomada do oriente médio nesta guerra é fundamental. E no melhor estilo KGB, nada como plantar uma série de mentiras e jogar todos contra todos, convenientemente usando os mecanismos internacionais como meios de pressão,

 “… O Kremlin começou a tornar o anti-semitismo um movimento internacional. O ponto baixo veio em 1975, quando Yuri Andropov usou a ONU para rotular oficialmente o sionismo como um mal. A máquina de desinformação soviética trabalhou duro para persuadir os líderes dos países do terceiro mundo a adotar uma resolução da ONU declarando que o sionismo era uma forma de ‘racismo e discriminação racial.’ Oficialmente apresentada como uma iniciativa árabe, a resolução era apoiada pelo líder da Organização de Liberação da Palestina e fantoche da KGB Yasser Arafat, junto de vários governos aliados árabes, Cuba de Fidel Castro e a maioria do Bloco Soviético.” (Disinformation, p.276)

 Como afirma o Dr Heitor de Paola em seu livro “O Eixo do Mal Latino Americano” (leitura absolutamente indispensável), as organizações internacionais sempre se apressam em reprimir Israel e EUA e beatificar os terroristas. É claro, em luz das informações reveladas por Pacepa, que isto é parte de um quadro muito maior.

 No campo de batalha físico da terceira guerra mundial, que são conflitos regionais nos quais a Rússia se envolve ‘por procuração’ através dos grupos terroristas, valem as regras da guerra assimétrica. É a lógica que beneficia os aliados: nosso lado pode tudo, o outro tem que seguir as convenções internacionais.

Se você procurar, vai achar imagens dos abrigos terroristas palestinos do Hamas. Estes abrigos se concentram majoritariamente em áreas populosas, justamente para forçar o maior número possível de causalidades civis em eventuais ataques israelenses. Os foguetes lançados sobre o território judeu não possuem nenhum tipo de sistema de navegação, de modo que são lançados a esmo, atingindo o que atingir. Não é incomum estes foguetes danificarem hospitais e creches.

Por outro lado, as forças israelenses fazem campanhas, como espalhar folhetos e realizar telefonemas para que os civis tenham tempo de fugir antes dos bombardeios. Entretanto, qual dos dois lados é tido como o vilão da história? O Hamas não segue regra alguma, mas são os palestinos oprimidos pelos malditos sionistas. Enquanto quem segue as regras é punido constantemente, os que apelam à mais baixa de todas as ações humanas, o terrorismo, permanecem impunes e ainda recebem os louros por sua santidade demente.

O vídeo abaixo é bastante elucidativo. Nele está a versão da história, sem os ‘retoques’ da KGB:

 É um tanto perturbador compreender que todos os eventos globais relevantes estejam conectados por uma vasta rede de mentiras estrategicamente plantadas no decorrer de muitas décadas. Mas é exatamente o que acontece. A queda do muro de Berlim e a Perestroika foram o maior cavalo-de-tróia da história. A grande mídia ocidental foi completamente tomada pelos agentes revolucionários, bem como as universidades. Entretanto, como sugere Yuri Bezmenov num panfleto de 1985, a solução para o problema é simples:

 “E se você está falando especificamente sobre essa mídia, eu já tenho uma solução para te dar. Comece a sua própria mídia. Se você lê monstros como o New York Times, ou o Washington Post, ou o Los Angeles Times, se você vê esse lixo vindo das três maiores redes de TV, apenas a título de curiosidade, por favor assine a literatura conservadora. Se você assiste The Phil Donahue Show [liberal, no sentido americano, ou seja, socialista], só por curiosidade assista Pat Robertson ou Jimmy Swaggart, ou Jerry Falwell [conservadores]; existem muitos outros.”

 Aqui no Brasil, blogs e sites, como o presente, estão pululando por todas as partes. Já existe material de excelente qualidade circulando abundantemente em português, escrito por pessoas competentes e honestas. Posso citar alguns: Mídia Sem Máscara, Movimento Viva Brasil, Defesa.org, Nota Latina, Rádio Vox, os blogs do Felipe Moura Brasil, Rodrigo Constantino e Reinaldo Azevedo, além de tantos outros que eventualmente surgem e de outros que a minha memória infelizmente não privilegia neste momento. Do mesmo modo, livros conservadores se tornaram Best Sellers, como “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, do Prof. Olavo de Carvalho, “O Manifesto do Nada na Terra do Nunca”, do músico Lobão e outros.

E faço um apelo ainda maior: aprenda outras línguas. O material em inglês, por exemplo, é quase infinito. A maior arma contra a desinformação é a informação. O meio conservador ainda carece de mais inserção principalmente na TV e no rádio. Na internet e na mídia escrita o rombo já está feito e vai se alastrar ainda mais.

 Para o amigo leitor que deseja se aprofundar no assunto, recomendo os artigos de Jeffrey Nyquist, “O império da mentira” (disponíveis aqui: http://www.midiasemmascara.org/colunistas/jeffrey-nyquist.html), os livros dos desertores Anatoliy Golitsyn “New Lies for Old” (que você pode baixar aqui: http://www.spiritoftruth.org/newlies4old.pdf), Ion Mihai Pacepa “Disinformation” e os famosos vídeos do Yuri Bezmenov (https://www.youtube.com/watch?v=iK4kZSU-5Cg e https://www.youtube.com/watch?v=D0KVrr7mfQM). Recomendo também, conforme sugeri acima, o livro do Dr Heitor de Paola “O Eixo do Mal Latino Americano”, este o melhor analista brasileiro sobre o assunto.