Porque não vai à falência. É a resposta mais simplificada que posso imaginar. E vou justificar com um exemplo típico: a Petrobrás. Veja esta reportagem da Folha. Ali se diz que foram ‘desviados’ (o novo eufemismo para ‘roubados’) 88 bilhões de reais da empresa. Ao mesmo tempo, revela-se que nos últimos dois trimestres de 2014 o lucro foi de, somados, 8 bilhões de reais. Fazendo uma projeção para os outros dois trimestres, concluímos que por volta de 20 bilhões de reais deve ter sido o lucro da empresa em todo o ano de 2014. Agora vem a parte assustadora: 88/20 = 4,4. Ou seja, foram desviados o equivalente a quase 4 anos e meio de lucro de operação da empresa.

Para validar o meu argumento, deixo a pergunta ao leitor: quanto tempo uma empresa privada dura sendo saqueada desta maneira? Alguns meses? Basta pesquisar rapidamente, na sua própria cidade, casos de empresas que faliram por desvio de caixa, e são muitos. E nenhuma resistiu a mais do que alguns meses nesta situação.

Mas então, por que as empresas públicas não falem? Porque geralmente elas são classificadas como serviços essenciais (não queremos ficar sem gasolina, certo?) e por isso podem receber aportes financeiros e socorros. Além, é claro, de repassar para o consumidor este custo todo. Em todo o mundo o preço da gasolina vem despencando porque o barril do petróleo se desvalorizou em quase 50% nos últimos meses. E aqui? Teremos novo reajuste, para cima. Por que? Para pagarmos os 4,5 anos de operação necessários para manter o esquema do Foro de São Paulo funcionando.

Esta situação é ideal para a instalação de grupos criminosos na administração pública. Sabe-se que ali sempre haverá dinheiro de uma maneira ou de outra, então ocupa-se todas as posições possíveis de modo a tornar a operação da empresa, de preferência a administração, uma hierarquia de serviço ao crime organizado. O círculo vicioso se inicia, já que sempre é necessário pagar mais alguém para o esquema continuar de pé, até que alguém não receba sua parte e dê com a língua nos dentes, que deve ser o caso dos delatores da Petrobrás.

Entretanto, este não é um caso isolado. Todas as empresas e órgãos públicos contam com o mesmo problema em um grau ou outro. Este é o sintoma de que já estamos numa patocracia, ou seja, uma sociedade controlada por pessoas psicologicmente doentes, criminosas no sentido literal, conforme explicado por Andrew Lobacewsky. Como indício, deixo a seguinte passagem encontrada na página 174 do livro “Ponerologia: psicopatas no poder”:

O diretor de uma planta de uma nova fábrica é sempre alguém muito pouco conectado com o sistema patocrático, mas cujas habilidades são essenciais. Uma vez que a planta se torna operacional, a administração é tomada pelos patocratas, que a levam frequentemente a ruína técnica e financeira.

E aí? Notou alguma semelhança? No setor privado a ruína técnica e financeira se encarrega de colocar essas pessoas em seus lugares. No governo, não. A própria ideia de um Banco Central intervindo na economia é salvaguarda necessária para que indivíduos psicologicamente perigosos tomem os cargos públicos. Por este motivo sempre existe uma ideologia redentora através de um partido ou movimentos sociais que os sustentam, de modo a justificar as ações do grupo criminoso que visa uma tomada hegemônica de poder.

Tudo isso não é só endêmico, é sistêmico. Somente o controle hegemônico da sociedade alimenta o sonho de sobrevivência deste grupo, já que a sua própria natureza é auto-destrutiva. Por este motivo, não se engane: o que está em jogo não são contas bancárias, e sim o controle total e irrestrito de toda a sociedade. Pode dar o nome que quiser: socialismo, comunismo, nazismo… a ideologia não passa de mera retórica para justificação da tomada de poder por meios criminosos.