Quando ouço falar em oposição ao governo do PT, uma paisagem imediatamente  me vêm à mente: uma cidade fantasma num filme de faroeste americano, e uma bola de feno rolando ao capricho do vento, em frente ao “saloon” abandonado. Não existe oposição ao governo federal, tão pouco ao projeto de poder hegemônico do PT. Em meio ao pipocar de indicadores econômicos em sinal de alerta, de denúncias e escândalos, julgamentos e condenações, o que assistimos é a incompetência daqueles que deveriam cumprir seu papel de fiscalização e moderação no jogo democrático.

A oposição não consegue sequer articular um mísero discurso nas casas legislativas. Seu último grande ato foi a pré-carnavalesca eleição de Renan Calheiros/PMDB para a presidência do Senado, onde membros do próprio PSDB e outros partidos da oposição trocaram seus votos por promessas de cargos na mesa. A situação é tão descarada que torna-se difícil acreditar em incompetência: trata-se de conivência e cumplicidade.

O filósofo Roberto Romano, em entrevista para o jornal O Globo, analisou a condição atual da oposição:

[…] pelo governo do PT ter dado continuidade à política econômica do governo anterior, a oposição adotou uma espécie de “fidelidade canina” a uma política que imaginou ser a mesma conduzida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, tornando-se “refém de si mesma”.

A oposição nunca foi tão insignificante do ponto de vista político e legal como neste momento.

Não se trata apenas da continuidade da política econômica. Partidos da oposição, como o PSDB e o PPS, possuem uma identidade ideológica com parte da agenda política e cultural adotada pelo PT (leia mais neste artigo). Portanto, esses partidos nunca serão duros e incisivos, exercendo uma oposição de fato ao governo federal e ao programa político do PT. Até porque não possuem uma agenda política efetivamente oposta à que temos hoje: são de oposição simplesmente porque não estão no poder. Esse é outro aspecto que explica essa paralisia da oposição.

Mas… o carnaval está aí, e ninguém é de ferro.

Em entrevista ao jornal O Globo, Aécio Neves prometeu, e a terra tremeu:

Mas o governo que se prepare, vamos voltar quentes depois do carnaval. Vamos fazer uma oposição cada vez mais qualificada, clara e firme.

Outros figurões da oposição também estão esquentando o tamborim para o restante de 2013, como revelou Agripino Maia/DEM à Veja:

[…] o processo eleitoral do ano passado provocou um distanciamento da oposição. Mas nós do DEM, o PPS e o PSDB já superamos essas dificuldades e nos entendemos, e o diálogo voltou a ficar lubrificado. Vamos nos reunir depois do Carnaval para retomar uma ação unificada.

O samba do crioulo doido em que se transformou a oposição ao governo do PT, eu já sei de cor: enquanto Aécio cai no samba, a Mangueira vai entrando, imponente, suntuosa… na avenida. Ufa! Ainda bem que Agripino já veio previnido, com o discurso devidamente lubrificado. Podemos dormir sussegados. Ao final da apoteose, uma oposição redentora surgirá quente, das cinzas. Quem vai puxar esse bloco? Só se for D. Sebastião, que também está para voltar por esses dias…