Toda a moçada descolada comemorando o tal do #lovewins. Não sei porque alguém comemora uma regulamentação estatal. Não vou entrar no mérito do casamento gay em si. Nem de que isso pode descambar pra todo tipo de doideira. Nem nada disso. Já tem gente demais falando a mesma coisa.

O que pretendo dizer é que vocês estão comemorando o seu próprio fim. E nem tem a ver com qualquer moralismo anti-gay. Tem a ver com uma questão prática: Os EUA são um país fundado sobre um pacto federativo, no qual os estados têm autonomia. Tinham. Agora não têm mais. O país já estava dividido, bem como aqui, não entre esquerda e direita, mas entre a classe política mais a mídia e o chamado país profundo, que ainda mantém suas tradições. De toda a loucura esquerdista, talvez a pior seja a de achar que uma sociedade se faz de cima pra baixo, e não que seja a união de indivíduos com interesses amplamente diferentes que se agregam por causa de alguns, poucos, valores comuns. Assim sendo, aumentam-se ainda mais as tensões internas e o abismo que separa as elites e a população. Acho que o resultado todos sabemos qual será. Pelo menos por lá.

O que a esquerda comemora, na verdade, é um golpe fatal no seu velho inimigo de sempre. É a revolução, no sentido francês, e não americano, tomando o país como uma metástase. Estão comemorando porque, através do pretexto politicamente correto, finalmente corromperam a ordem legal nos EUA, transformando-o em mais um monstrengo socialista que logo se auto-destruirá. E se os EUA fizeram isso, por que os outros não farão? Lembram da tal revolução mundial sonhada por Lênin… então…

E tudo isso em nome de uma noção infantilizada de amor que os otários descolados e frequentadores de food truck compram. Como se fosse preciso institucionalizar as relações para que duas pessoas quaisquer fossem morar juntas. Eu juro que não compreendo tamanha burrice.

E da direita também. Todo mundo na mesma de ‘Ah, por que vocês não comemoram os direitos dos gays em Cuba?,’ na toada da militância esquerdista comprando as coisas pelo valor de face. Eles não estão comemorando uma incongruência ideológica, mas uma vitória estratégica. Quem acredita nestes chavões está caindo na velha armadilha gramsciana: EUA = conservadorismo, logo nos EUA todos são conservadores. A estupidez reina em todo o espectro.

Mas comemorem, amiguinhos. E comemorem bastante. A guerra entre a elite e o povo, lá, está apenas começando. Mas lembrem-se da conclusão dos japoneses na segunda guerra mundial: por lá, atrás de cada janela, tem um fuzil. Portanto, as coisas não vão terminar em passeata na Broadway. Vão terminar em sangue. E muito sangue. Vocês que colocam fotinhas coloridas e descoladas estão comemorando, por antecipação, a morte desnecessária dessas pessoas. E o pior é que, quando isso acabar, o custo terá sido sua própria liberdade. Afinal, é amplamente conhecido que a fase seguinte à revolução é o terror. E tudo isso por causa de coisas que sempre se fez sem o menor problema. Era só não contar pro governo.