A religião base da cultura ocidental, monoteísta, crente na plenitude da vida após a morte, vem lentamente amargando o seu declínio. Os números não mentem: qualquer rápida pesquisa na rede revela o declínio da Igreja Católica e a crescente fragmentação da doutrina cristã nos moldes da multiplicação das pequenas igrejas evangélicas. Existem muitos livros a respeito da ligação entre a religião cristã e o mundo ocidental, mas não é disso que tratarei hoje, mas sim da sua mais mortal ameaça desde os tempos mais remotos: a nova religião pagã que vem emergindo dia após dia.

Durante a idade média, era interessante como alguns costumes pagãos costumavam resistir a evangelização. Por mais que se empenhassem, os religiosos não conseguiam eliminar certos rituais da cultura popular. Conseguiam, em alguns casos, trocar a temática pagã pela cristã, como a fogueira no dia de São João. O componente pagão parece nunca se extinguir, muito provavelmente pelos resultados imediatistas que se espera obter desses rituais: chuva, colheita, cura, riqueza, etc. A substituição, em grande parte ao menos, destes rituais por uma crença transcendental, na qual o contínuo aperfeiçoamento e resistência ao sofrimento terreno como meio de atingir a redenção após a morte foi a principal responsável pelos diversos movimentos culturais que culminaram no florescimento da imensa e bela cultura européia ocidental.

Temos um legado de um milênio de revoltas , e principalmente reviravoltas, desde o declínio do Império Romano até a ascensão dos estados europeus modernos, descobridores das democracias de fato e inventores de maravilhas que permitiram um padrão de vida que jamais poderia ter sido longinquamente vislumbrado pelo maior dos sonhadores de épocas passadas. Jamais na história da humanidade tantas pessoas desfrutaram de tantos bens. São muitos e muitos anos de desenvolvimento e aprendizado. De mudanças culturais graduais, da experimentação entre culturas, mescla, separação, pela qual passou a Europa e o oriente, não sem um sofrimento impensável, durante a idade média até que uma forma estável de sociedade, na qual o indivíduo é livre, surgisse.

Então, no florescer do Iluminismo, aparecem os reformadores que acreditam poder mudar o mundo a partir de suas escrivaninhas, e um mundo perfeito, muito melhor que este mundo criado sobre tanto sangue, suor e lágrimas. Um novo e pleno mundo engenhado através de toda a razão humana e a ciência. Para isso precisam destruir o antigo, decadente. Precisam resgatar o homem selvagem que se perde numa sociedade corrompida. Esse movimento culminou com a praga que hoje se instaura através do marxismo. E este tem se tornado a base de uma nova religião pagã.

Esta nova religião é “atéia”: nega a existência de Deus, uma criatura forjada pelas paixões humanas e não pela razão. A função de Deus seria espalhar o medo e assim manter o controle do clero sobre a população.

Como pode uma religião ser “atéia”? Simples, nega-se o Deus cristão e qualquer outro. No lugar colocam-se deuses artificiais, esses sim criados pelo ser humano, mas não dê nomes a eles. Chamá-los de deuses fariam deles obras da ignorância humana. São fantasmas que passam indetectados. Mas existem muitos deuses nessa nova neo-mitologia. A ciência por exemplo, é a nova justiça. Repare como os neo-crentes colocam a ciência como a justiça extrema. A ciência diz o que é certo e o que é errado. Mas essa, caro leitor, é uma pseudo-ciência, tão falsificada a ponto de acharem que o método científico tem a possibilidade de sondar a realidade nos seus pormenores. Explico isso numa outra ocasião.

Outra deidade neo-pagã é o meio ambiente. Neo-crentes querem proteger o meio ambiente a todas as custas do aquecimento global. E veja aqui a deusa ciência agindo novamente, mas uma deusa desfigurada: ainda é um debate aberto se a atividade humana causa as mudanças climáticas, mas eles afirmam categoricamente que sim, é “cientificamente” provado! E as provas são sempre as mesmas estatísticas deturpadas. Procurando com um pouco de esforço se encontram dados mais concretos, inclusive do próprio IPCC admitindo que podem estar errados. Mas colocar o meio ambiente em risco é uma heresia! Para a fogueira com os queimadores de gasolina! Bandidos que não reciclam papel!

Mas ainda tem o maior deus de todos, o grande benfeitor, o Estado. O grande Leviatã, que devora vorazmente os recursos do seu povo e seria responsável por prover a todos com educação, saúde, moradia, emprego e até mesmo bom senso! Os restauradores do mundo até criaram uma lei para colocar na porta do elevador do seu prédio um aviso para que você, leitor, não seja estúpido. Quem sabe o tal “‘mesmo” da plaquinha não seja o próximo cobrador de impostos? Eles só querem o seu bem, te proteger de você mesmo. Te impedir de correr riscos. De empreender. De ser livre. De ter uma arma para defender sua família.

Vamos aos profetas. Temos muitos, mas o Maomé dos neo-crentes é fácil: Karl Marx. Ouse dizer que Marx estava errado e você será amaldiçoado com toda a fúria de um tsunami! Tudo o que se faz tem em vista a bíblia marxista, também conhecida como “O Capital”. Tudo se justifica em nome do marxismo. Um terrorista que mata um inocente num atentado, em nome do comunismo, é santo, é belo, é heróico! Mas um soldado que mata um guerrilheiro que acabara de torturar um jovem na frente da sua família, porque estava lutando contra o marxismo, esse é um demônio, do pior tipo, o Lúcifer personificado! O guerrilheiro é um mártir, brutalmente assassinado por um soldado sedento de sangue,um imperialista malvado! Você pode até matar uns 73 milhões de pessoas pra implementar o sistema social que você bolou no seu escritório, desde que seja marxista. Afinal, o que são “algumas” baixas pelo bem coletivo?

O processo de surgimento de uma religião não é desconhecido. E qualquer semelhança com o princípio da história do Islam não é mera coincidência. Um profeta iluminado com uma horda de militantes espalhando a “palavra de Deus”. Assim como Maomé, Marx foi iluminado com a extrema sabedoria. Mas foi Deus, um ser que transcenderia a capacidade humana e que seria a essência do universo foi quem iluminou Maomé. E quem iluminou Marx? Essa resposta acho que eu nem devo procurar porque a resposta deve ser escabrosa. Ou sei lá, vai ver que tirou do… bom leitor… vamos voltar ao assunto do parágrafo anterior.

Temos outro profeta interessante, o Richard Dawkins. Mais um ignorante se vestindo de intelectual e cultuando a desfigurada deusa ciência. Ele a desfigura. Seu trabalho é torná-la a grande juíza, detentora do supremo bem, que só será alcançado através da sua aplicação aos princípios Marxistas.

Existem tantos profetas nessa nova religião, que nem dá pra enumerar. Comece a observar você mesmo. Pregadores, pelo menos, fazem parte do seu círculo social.

Eles têm também uma teologia completa: todo um sistema acadêmico mundial dedicado a estudar as obras de Marx, sem questionamento, apenas com direito a interpretação, jamais questionamento. E se as evidências mostram que Marx estava errado, mude-as. E assim nasce a nova literatura neo-crente, porque chamar os semelhantes de Hobsbawm de historiadores é complicado. Vamos dizer que eles fazem adaptações de obras clássicas sob o olhar marxista.

Por fim, escolhi um típico representante dessa nova classe de “crente descrente” para que o leitor possa entender bem como funciona um desses pregadores: Leonardo Sakamoto, blogueiro do UOL. Veja o ódio à religião cristã, presente já neste artigo. Veja como tudo é submetido à máxima marxista, também neste mesmo artigo. Leia outros e verá muitas coisas! Veja o ideal do guerrilheiro, a ânsia de reformar o mundo, nem que seja renomeando uma avenida com o nome de um dos mártires neo-pagãos! A bondade em pessoa. O defensor da natureza! Depois, leitor, veja os comentários dos frequentadores do blog e descubrirá como são os neo-crentes mais pedantes. Lá também verá gente rejeitando o autor, assim como aquele que prega na rua também é, por vezes, rejeitado.

E Sakamoto, eu tenho uma sugestão pra você: fique no seu cantinho, porque a sua religião já se meteu demais na nossa política.