A histeria é um quadro que se caracteriza pela negação da realidade e por sua substituição por uma realidade fabricada que seja mais agradável. Dou um exemplo prático, que aconteceu comigo. Fui jantar com uma moça que acabara de conhecer e ela me falava de todos os benefícios do vegetarianismo, de como devemos ser bondosos com os animais, de como eles sofrem no abatedouros enquanto… devorava um enorme e suculento bife mal passado. Eu só fui entender que o louco à mesa não era este que vos escreve uns 30 minutos depois do ocorrido, tamanho o choque que tomei. Não parecia crível um comportamento tão destoante daqueles e fiquei me perguntando se eu não tinha entendido alguma coisa errada. Depois de muito analisar a situação toda, cheguei à conclusão de que eu estava certo: aquilo realmente tinha ocorrido. Paguei a conta e fui embora na maior velocidade que o meu modesto automóvel me proporcionava! Mas é assim que funciona: a pessoa troca a realidade objetiva, que está a sua frente por uma outra na qual ela é a pessoa que idealizou e foda-se você com a sua realidade. Ela é o que ela imagina ser e não o que é. O relativismo levado totalmente a cabo. É claro que isso é doença, que se propaga quando essa onda de choque encontra um ouvinte despreparado.

E a coisa está ficando tão clara que aquelas piadas de louco que achava ser Napoleão já não são mais piada, são retrato da realidade. Assim como qualquer escola hoje é idêntica à escolinha do Chaves (e quem leciona no ‘superior’ sabe muito bem disso). Mas vejam só que coisa: um deputado do PSOL defendendo o livre mercado já deveria ser uma bizarrice por si só. Mas como todo comunista é histérico em sentido clínico, ele diz que a iniciativa privada funciona porque:

O meu bom, velho e infalível Marx, que me fornece um método de análise do desenvolvimento do processo civilizatório a partir da compreensão da evolução da economia política, me ensina que os taxistas que hoje se debatem contra o UBER agem da mesma forma que os rebelados ingleses – liderados pelo General Ludda, denominados movimento luddista -, lutaram contra os efeitos da revolução industrial.

Então, vejamos bem, o Marx (que nesse caso acho que não era aquele barbudo, mas algum primo do Mises), dizia que, contra um monopólio amparado pelo aparato estatal via sindicalização, o melhor remédio seria o livre mercado, pois a multidão de pequenos empreendedores criaria respostas economicamente mais vantajosas aos consumidores, como bem notado no artigo citado. E para parecer que isso tem alguma coisa a ver com esquerda, enfie uma revolta no meio e chame de ‘revolução’. É tão patético, tão ridículo e tão descarado que só pode ser explicado por um fenômeno de manipulação psicológica chamado ‘a grande mentira’. O psicopata que melhor expressou em palavras esse tipo de construção psicológica foi ninguém menos que Adolf Hitler:

(…) a grande mentira sempre tem uma certa força de credibilidade, porque as massas de uma nação são mais facilmente corrompidas nas camadas mais profundas da sua natureza emocional do que consciente ou voluntariamente; portanto, na simplicidade primitiva de suas mentes, elas caem mais facilmente como vítimas de grandes mentiras do que de pequenas, já que eles próprios contam pequenas mentiras o tempo todo em assuntos sem importância, mas se envergonhariam de recorrer a falsificações de larga escala.

Assim, fica evidente o tipo de discurso que esse pessoal emprega. Mises teria justificado o Uber desta maneira, não Marx, que teria jogado ao Estado o monopólio dos táxis. Qualquer um, psicologicamente saudável, teria percebido rapidamente que se trata de um embuste, de tão óbvio que é. Mas aí entra a grande mentira: quem mentiria tão forçosamente desse jeito? Quem seria radicalmente contrário à ideologia do seu partido dessa maneira? Essa é uma mentira tão absurda que, na cabeça de quem não está preparado, soa como: não, não é possível que alguém tenha dito uma mentira dessas! E aí o ouvinte, ao aceitar um negócio desses, fica pronto para acreditar na próxima, transformando-se assim, gradualmente, num histérico ele próprio, porque o amontoado de mentiras que ele vai acumular não pode ser desfeito sem um imenso custo emocional. E, convenhamos, quem não quis desmascarar o mentiroso no ato, com pequeno custo psicológico, não vai querer arcar com a reforma toda ao final, não é mesmo?

Pra vocês verem como isso realmente deu certo,  eu faço aqui duas perguntas: 1-) como é que pode alguém falsificar uma coisa de uma maneira tão óbvia? 2-) como é que um articulista de um periódico sobre economia não identificou que a justificativa é oposta ao marxismo, sendo, na verdade, totalmente austríaca. Ah, não! São três perguntas: WTF??????