Uma das obras que mais falaram à Humanidade foi e ainda é “A Divina Comédia”, do renascentista Dante Alighieri, escrita no século XIV.

“Comédia” era o termo que Aristóteles usava para contrapor-se à forma literária da “tragédia”, sem nenhuma relação com o humor, apenas com o desfecho da trama.

Sendo talvez o livro que mais influenciou o mundo, escrito em forma de poemas, conta a história de Dante que, em uma viagem ao plano etéreo dos mortos, ciceronado por Virgílio (uma alma boa) e Beatriz (alma também boa que vem a seu encontro direto do Céu e que amou na Terra).

O enredo tem tudo a ver com a caótica Venezuela e também com o mundo, que convulsiona entre crises sociais. O citado país seria a própria esfera concêntrica infernal na Terra. Chávez é Dante. Virgílio, Simón Bolívar, o grande heroi venezuelano, já purificado e em estado de graça.

Chávez, conhecendo as agruras e misérias post mortem dos malfeitores e que usaram o espírito para fins espúrios, deseja passar um recado para a Humanidade, que se insiste surda.

Nicolás Maduro, o caudilho em exercício, disse, logo apois a morte do antecessor, que viu seu fantasma em forma de passarinho numa breve visita. Só não contou que os demônios Turdídeos e Caim se apresentavam, também, sob a forma de inocentes pássaros, segundo a literatura mística.

Mais isto é passado; e o demônio, em passando pelos vários dos círculos concêntricos descritos na Comédia teológica, se alimpa, purifica, e se eleva, tal qual Virgílio, seu mentor espiritual.

A mensagem se ajusta com perfeição ao que ocorre no mundo – que é o inferno. O Hades, cheio das melhores intenções, planos miraculosos e sumidades intelectuais infalíveis – Goethe que o diga. E por falar em Goethe, que escreveu “Fausto”, obra que era, ao contrário da Divina Comédia que agora me refiro, uma autêntica tragédia.

A nova religião é a busca pelo poder e o controle absoluto sobre a vida humana e sob os modos de produção e disposição dos seres na sociedade. É a chamada “New Age”.

Amigos religiosos: controlar corpos, se não for pecado, é o quê?

Vocês não são religiosos de maneira nenhuma, são repetidores estéreis e cansativos de textos sagrados. Tão somente.

Os pastores do mundo (trato de governantes) querem ser pastores no modo absoluto do termo. É a própria opus diabolis. E os religiosos são os únicos que não perceberam, ou fingem que não. O socialismo é o próprio Belzebu – o senhor das moscas, das pestes e dos flagelos. O conceito-verdade de religião (aquela do Espírito), sim, é perseguido mundo afora, e gente é morta por exercê-la, sob o silêncio da comunidade mundial.

Uma hora, Lúcifer cansa de tantos rosários e homenagens ofertados a ele e pedirá ação efetiva e vocês estarão bem preparados para isto. Este dia está próximo.

O guia espiritual da Humanidade, Karl Marx, dizia que o caminho do inferno está pavimentado de boas intenções. Tinha toda razão o bem intencionado Marx.

Chávez purificou su’alma nos círculos purgatoriais e nos passa seu recado. Nós, que não queremos ouvir seu relato. Deixemos com isto, não é?
“Os mortos que enterrem seus mortos”.

Na verdade, como diz Constantin Noica em seu “As Seis Doenças do Espírito Contemporâneo”, é a alma que vai doente. A patogênese do processo está em nós mesmos.

O poder não corrompe, apenas; o poder absoluto é o próprio Mal, o próprio Demônio – é o pai da Mentira, personificado em tutelas aparentemente benévolas e travestidas de um humanismo generoso e superficialmente cristão.

A mensagem de Chávez, alma, é urgentíssima.

P.S.- Este texto é apenas um exercício de interpretação imaginativa. Chávez continua, ou no purgatório ou no inferno.

Gustavo Fernandes – http://gustavofernandes.blogfacil.net