A reação nas redes sociais à tentativa do Congresso Nacional de incluir a anistia ao caixa 2 na votação das 10 medidas contra a corrupção, o que aconteceu após um amplo conchavo político entre governo e oposição, mostrou que o período de trégua ao presidente Temer acabou. Foram convocadas novas manifestações para o dia 4 de dezembro. Mas contra ou à favor de quem ou do que? A resposta a essa pergunta não está na boca do povão, como estava o Fora Dilma/Fora PT do começo do ano. E isso é um problema.

A esquerda agiu de maneira inteligente neste episódio da anistia ao caixa 2: o PT e as linhas principais fomentaram a ação nos bastidores e permaneceram nas sombras, enquanto suas linhas auxiliares, em especial o PSOL é o PV, se projetaram contrários à manobra, posando como defensores da ética e dos bons costumes. É um expediente comum na história da esquerda, mais velho do que andar para frente e guaraná de rolha, mas cujas implicações muita gente ignora.

Agora temos a direita que foi pra rua pedir o impeachment da Dilma e as linhas auxiliares do PT, todas caminhando na mesma direção. É o próprio 2013 novamente batendo à porta. Pra esquerda, é a chance de requentar a militância mobilizada nas invasões de escolas públicas, que hoje estão em declínio com o final do ano.

A receita pra que essa manifestação não acabe servindo como massa de manobra para os intelectuais orgânicos da esquerda é simples, e já deveria estar na mente de todo direitista a essa altura do campeonato:

1) Toda manifestação tem que ter um FOCO, algo concreto, e não abstrações e generalidades, por exemplo, “contra a corrupção”

2) O foco e o slogan da manifestação tem que ser abertamente ANTI-PETISTA, no sentido amplo do termo – estendendo-se às linhas auxiliares do PT, como o PSOL, e à maneira de se fazer política que o partido institucionalizou no país.

Deixar as coisas no ar e ignorar essas preocupações é pedir pra tomar um 7×1 nas ruas e ter a manifestação conduzida por agitadores profissionais, que estudam esses tipos de evento desde o dia 01 da escolinha de formação do partido. Quem sabe, pode ser até um momento propício para infiltrar e catapultar uma nova liderança entre os grupos direitistas.

Na minha opinião, isso tudo se resolve promovendo as manifestações do dia 04/11 EM DEFESA DA LAVA-JATO E DO JUÍZ  SÉRGIO MORO, e ponto final. Marcar essa posição seria essencial para afastar qualquer interesse da esquerda em tentar limpar sua imagem nas manifestações genuinamente populares -aquelas que não são regadas a pão com mortadela da CUT.  É preciso destruir pontes com a esquerda, e deixar claro que eles são os responsáveis por isso. Foram eles que colocaram o Temer lá, foram eles que protegeram o Renan Calheiros por tanto tempo. Não se pode diluir essas diferenças fundamentais no sopão vazio do slogan “contra a corrupção”.

O seu amigo descolado maconheiro do DCE, que até ontem gritava contra o Sérgio Moro, as investigações da Lava-jato, o Górpi… agora se escandaliza com a emenda que anistia o caixa 2 – proposta pelo seu próprio grupo político – e, num passo de mágica, torna-se paladino da moralidade. Você vai permitir que esse traste pegue carona nas manifestações de domingo e saia na ruas ombro-a-ombro com você?

Vamos acordar, moçada, e marcar nossa posição: nós não temos bandido de estimação, não nos misturamos com quem tem e não somos bestas pra acreditar numa só palavra que saia da boca do PT ou das suas linhas auxiliares. O inimigo é o mesmo de 2014/2015/2016.

Velhos desmiolados